quarta-feira, 14 de julho de 2010

Novamente só

Hoje acabou. Aquele que era o meu amor decidiu acabar a relação sobre o argumento de já não ter entusiasmo… Acabou o sonho. A ilusão. Fecha-se um ciclo. Há um ano atrás fazia um grande amor sair da minha vida. Agora sai outro por sua livre e espontânea vontade.
Não consegue viver na rotina e não gosta o suficiente de mim. Apesar de gostar muito. Há menos de uma semana dizia-me que me adorava muito muito e encheu-me a casa de corações. Agora saí sem dor. Sem dó nem piedade porque descobriu depois de um filme que afinal o que lhe faltava era o entusiasmo.
Magoou-me como nunca o poderia ter feito. Desiludiu-me. Atirou a toalha ao chão. Desistiu de mim, desistiu de nós.
Acabou com o sonho de ter uma relação estável. Uma aliança no dedo. Uma familia. Acabou com o meu plano A. Era o meu melhor amigo. O companheiro de todas as horas. O meu braço direito e esquerdo. Era aquilo que sempre sonhei. Da sua boca ouvi aquilo que nunca ninguém me disse. Nunca disse amo-te mas disse tantas coisas mais importantes.
Sempre disse a mim mesma que tinha sucesso profissional porque nunca teria uma vida pessoal que me fizesse feliz. Acreditava nisto quando ele entrou na minha vida e mudou tudo. Mudou tudo com o seu jeito meigo. Atencioso. Fiz um esforço grande para acreditar que merecia ser feliz no amor. Acreditei. Fez-me acreditar. Eu que sempre achei que já tinha recebido todas as graças que a vida me podia dar recebia mais uma. Afinal não. Era apenas uma transição para um novo vazio. O vazio do silêncio. A ausência de esperança.
Esta casa enorme cheia de todas as recordações. Nesta casa falharam os meus 2 amores. Esta casa acabou com ambos. Quer-me sozinha.
Já não sou uma miúda. O tempo que passou já não posso recuperar. O corpo mostra os primeiros sinais lembrando-me que as janelas de oportunidade um dia se vão esgotar.
O meu destino cumpre-se. Sozinha. Com dinheiro e sucesso profissional. Ao fechar esta porta o silêncio. O vazio de quem não tem ninguém à espera.
Fiz más escolhas. Muitas más escolhas. A mulher dos gatos.
Ele disse-me que não corre duas vezes agua debaixo da mesma fonte. Isso não é uma fatalidade. Conheço histórias que provam isso. Mas é preciso que estejam ambos em cima da ponte e não em cada margem. Foi um ano lindo. Ele disse-me que me deu um ano como se de algum favor se tratasse. E eu o que lhe dei? Amor em troca de tempo.
Quem possa ler diz. Isso volta. Não volta não. Não voltará. Ele diz que fico melhor. Presumir pelos outros é errado. Não fomos feitos para estar sozinhos. Acabou a história e não viveram felizes para sempre. Agora já sabemos o quão longe chegámos e que de facto chegou ao fim.

Cá estou eu novamente all by myself. Preciso das minhas grandes amigas. Dos meus anjos da guarda. Preciso de colo. Não façam perguntas tudo o que havia a saber está aqui escrito. Amei. Entreguei-me. Acreditei. Fui feliz. Acabou de repente sem aviso prévio e sofro. Apesar do tempo se estar a esgotar para mim ele ainda corre no mostrador do relógio. Conheço grandes mulheres sozinhas. Sou apenas mais uma.

Agora para ti lembra-te sempre: um dia existiu uma mulher na minha vida que gostava de mim como eu era, sem pedir nada em troca. Amou-me. Lutou por mim. Empenhou-se. Esteve lá. Aguentou-se firme e defendeu o amor. Acreditou que eu era capaz. Apesar de ter tudo faltou-me o entusiasmo e decidi arriscar tudo. Acabei tudo. Perdi-a. Ela deixou de acreditar em mim.

Fim de história