Saberei se tudo poderá estar bem. Tenho medo, mas acredito que as minhas estrelinhas me vão proteger. Eu sei que se não tiver aquelas duas estrelas a olhar por mim terei uma de certeza. A única estrela que em parte percebo, compreendo e com a qual até me identifico. Obrigada por teres prescindido. Disseram-me que nunca te perdoaste por isso e que gostavas dos teus filhos. A tua história trágica comove-me. Ás vezes penso em ti. Apenas uma foto velha. Quem era esse homem magro e atormentado? Qual foi a tua história? Será que a mim também me amaste? Será que me beijavas quando adormecia? Era a única menina. Na minha casa nunca ninguém me disse mal de ti. Se as circunstâncias tivessem sido outras serias tu o pai que não tive? Sempre quis ter irmãos mais velhos. Tenho 2 mas nada sei deles.
É raro pensar nisto porque estou tão grata à minha mãe e avós que não ouso pensar nisto só com medo que eles sequer desconfiem. A minha mãe salvou-me porque talvez tivesse morrido. E tu onde estavas? Porque me deixaste definhar? Porque motivo estúpido estou a escrever agora o que toda a vida guardei só para mim. Serei eu parecida contigo? O mano Z. é parecido comigo. De quem é esta história biológica da qual faço parte? Tenho medo. Muito medo. Sei que sou forte mas estou cansada de ninguém me deixar quebrar. Será que foi esta quebra que tiveste quando fizeste aquela loucura? Poderia eu ter-te salvo? Quem eras tu?
Talvez por ter tido a melhor mãe do mundo, a melhor porque me ama incondicionalmente, nunca quis saber da Maria da Conceição Duarte Nobre. Nada me diz. Pôs-me no mundo e deu-me sem olhar para trás. Como se de um objecto se tratasse. Não quis saber. Morreu atropelada acho. Mas tu não querias. Tu Francisco Pereira quem eras tu? Que idades tinhas? De onde vinhas? Apenas sei que tinhas o cabelo claro. Eras de montemor-o-novo. Magro. E tiveste muitos filhos. Tinhas uma bonita assinatura. Será que tomas conta de mim?
Deverei eu procurar respostas?
